Turismo, vinhos, construção: sectores para investir.
Hotéis continuam com potencial de crescimento e vinhos têm sucesso garantido. Na construção, a estratégia deve passar por aquisições. As empresas portuguesas que queiram fazer negócio no Brasil no sector da construção e engenharia devem privilegiar a via da aquisição, olhar e pensar em termos de grande escala (o Brasil é uma Europa!) e têm de ter muita persistência. Quem o diz é Ricardo Pedrosa Gomes, presidente da Associação de Empresas de Construção, Obras Públicas e Serviços (AECOPS). "Este é um mercado muito fechado e burocrático", diz o mesmo responsável.
Apesar de algumas empresas portuguesas deste sector estarem a promover-se no Brasil, apenas o grupo Teixeira Duarte está no terreno.
"Conseguiu delinear uma boa estratégia e comprou uma empresa no Brasil. É o único grupo português que está a trabalhar no mercado brasileiro e já tem algum peso", afirma Ricardo Pedrosa Gomes.
Além da cultura muito proteccionista, o Brasil, na opinião do presidente da AECOPS, tem ainda outro problema que é o facto de ter muito ‘know-how' e competências neste sector. "São muito bons em standarização de processos construtivos e têm conhecimento técnico em todas as áreas, onde são tão bons ou melhores que nós", diz Ricardo Pedrosa Gomes. É por isso que acredita que, apesar de o momento poder não ser o melhor, a única forma de olhar para o Brasil é de forma ofensiva, estudar o mercado que tem muitas empresas, algumas mais pequenas mas ao nível de grandes empresas portuguesas, que estão descapitalizadas. Há ainda outra oportunidade que poderá ser interessante para Portugal no Brasil que é a área ferroviária e portuária. O sector ferroviário é público e o sector portuário é privado. Aqui, embora continue a persistir a cultura proteccionista, começa a haver uma maior abertura para trabalhar com empresas de outras nacionalidades. Hoje em dia no sector portuário já trabalham algumas empresas espanholas. E o empresário brasileiro Eike Baptista - considerado o 8º maior milionário do mundo segundo a Forbes - está a fazer um mega investimento no Rio de Janeiro com empresas chinesas.
Mas Ricardo Pedrosa Gomes acredita que "para o Brasil continuar a crescer ao nível que tem crescido, mais tarde ou mais cedo, vai ter de se abrir. A partir de 2015 vão ser necessários oito milhões de pessoas especializadas em todas as áreas. E esta poderá ser uma grande oportunidade mais para as pessoas do que para as empresas portuguesas", sublinha.
Hotéis de São Luís do Maranhão a Curitiba
Uma cultura semelhante à portuguesa e o reforço das ligações aéreas entre os dois países, impulsionaram as empresas portuguesas do sector do turismo a apostar forte no Brasil, "São já muitas as situações de presença no Brasil, algumas de forma mais estruturada em torno de grupos empresariais, como é o caso do grupo Pestana, do Vila Galé, do Tivoli, e outras, em situações de investimento mais circunscrito, mas é possível dizer que a presença portuguesa se mostra sólida e com muito futuro", afirma José Carlos Pinto Coelho, presidente da Confederação do Turismo Português (CTP). E o Brasil continua com uma economia em franco crescimento. Um estudo do World Travel And Tourism Council coloca aquele país em 13ª posição no ‘ranking' da economia do turismo, entre 181 países analisados, explica o presidente da CTP. Grande parte dos projectos portugueses estão em São Luís do Maranhão, Salvador da Baía, Fortaleza, Natal, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
Sai um Periquita!
A imagem forte da marca "Portugal" tem ajudado o sector vinícola português no mercado brasileiro. Hoje há "um elevado número de empresas portuguesas, algumas mesmo já com posições consolidadas", afirma Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal. A Periquita, por exemplo, é uma das marcas portuguesas que faz parte da lista de vinhos mais consumidos no Brasil, fruto do "investimento forte e de vários anos das empresas na promoção e na formação dos profissionais brasileiros", explica aquele responsável. O Brasil ocupa o terceiro lugar em valor no ‘ranking' dos vinhos importados, tendo crescido mais 40% em 2010. As regiões com maiores vendas no Brasil são os vinhos verdes, Alentejo e Douro.
A ViniPortugal vai continuar a desenvolver o seu papel na promoção da imagem dos vinhos portugueses. Ainda no início deste mês esteve nas cidades de São Paulo e Curitiba com provas, onde estiveram mais de 50 empresas portuguesas, tendo a iniciativa recebido mais de 400 participantes, sobretudo profissionais.
Fonte: Diário Económico, sapo.pt