Cinco estereótipos sobre a tradução

Cinco estereótipos sobre a tradução

Existem muitas opiniões erróneas sobre a tradução. Estereótipos que, com a passagem do tempo, se generalizaram levando a sociedade a ter uma ideia errada sobre o tema, que convém esclarecer.

É o que se propõe neste artigo, dado que, de algum modo, alguma vez terá sido confrontado com qualquer destas “cinco falsas crenças” sobre a tradução.

Em primeiro lugar, destacamos a tendência para se ser levado a pensar que qualquer pessoa, ao falar dois idiomas, pode traduzir. Para muitos o conhecimento de uma língua adicional à materna já é um seguro que lhe permite diretamente a execução da tradução de tal idioma. Uma ideia que é absolutamente certa uma vez que, além do conhecimento da língua, faltam habilitações específicas ganhas como a formação, experiência, sensibilidade e atenção aos detalhes.

Nesta mesma linha é também muito frequente pensar-se que traduzir e interpretar é o mesmo trabalho. Para uma grande quantidade de pessoas, referimo-nos a termos semelhantes, sem se aperceberem de que falamos de noções divergentes. No primeiro caso trata-se de um trabalho de tradução de textos, enquanto no segundo se traduz a linguagem oral. Além disso, esta qualidade exige que o intérprete vá memorizando o diálogo, seja extrovertido e possua à-vontade a falar em público.

Em terceiro lugar encontra-se um dos erros fundamentais: a tendência para se achar que a única via para trabalhar em tradução é ser-se tradutor oficial. Este tipo de tradutores é o que tem uma certificação concreta. Mas não é a única forma de se trabalhar como tradutor. São muitos os profissionais sem um título a efetuarem este trabalho oferecendo qualidade e garantia.

Neste contexto encontram-se também os que pensam que o principal requisito com que o tradutor deve contar é dominar uma língua estrangeira, principalmente o inglês ou o francês. Embora estes idiomas sejam muito importantes, são cada vez mais relevantes outras línguas, tais como o chinês mandarim, o russo, o japonês, o árabe e, claro está, o português. Desta forma, o leque ficou significativamente ampliado nestes termos.

Mas também, e muito mais complexo, é estarmos convencidos de que os bons tradutores são aqueles que traduzem tanto para a sua própria língua como para uma língua estrangeira. Muito poucas vezes se pensa que o trabalho do tradutor é traduzir unicamente para a língua materna, embora nem sempre isso ocorra. Isso deve-se ao fato de a língua materna ser a que melhor se conhece e se domina, pelo que os resultados de qualquer profissional serão infalíveis. Tal não acontece na direção oposta.                                                                       

Concluímos o nosso particular percurso pelos estereótipos criados erroneamente sobre a tradução. Certamente muitos de vocês se sentiram surpreendidos com a presença de alguns, mas é absolutamente certo que um grande número de pessoas acredita neles. O fim destas “crenças erradas” depende da difusão deste tipo de conteúdos.

Não acham?